À conversa com José Fabião: a fotografia de um “pai galinho”, dedicado à ETIC há 27 anos

Entrou na ETIC quando a escola abriu as portas, em 1991. Conhece os cantos à casa como poucos. Histórico coordenador e gestor dos cursos de Fotografia, José Fabião diz que a ETIC “é uma escola de afetos” onde os alunos “são pessoas e tratados como tal”.

 

Foi a máquina do avô, há seis décadas, que o levou à fotografia. “Tinha para aí uns sete ou oito anos e comecei a espreitar pela máquina. Ainda hoje tenho a máquina e ainda funciona”, garante.

Não mais esqueceu a imagem e a fotografia. Aos 15 anos aprendeu a revelar, mas as suas escolhas revelaram outra paixão. Queria ser médico e entrou para Medicina. Mas as artes estavam-lhe no ADN. Depois da primeira metade da década de 1970 fora do país, regressou após o 25 de Abril. Enquanto dava os primeiros passos como fotógafo na Secretaria de Estado da Cultura, deu largas à sua criatividade.

“Pertenci a dois grupos de performance multimédia, fizemos muitos espetáculos em locais tão diversos como galerias, Bienal de Cerveira, bares do Bairro Alto ou o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Foram anos extraordinários de muita abertura à experimentação e ao trabalho colaborativo. Também fui sócio de uma galeria no Bairro Alto. Com o convite para a escola, dediquei-me mais ao ensino, embora com exposições pelo meio”, recorda.

Fabião, 68 anos, está na ETIC desde 1991, “quando a escola começou”. Faz parte da mobília da casa e por ele já passaram muitos alunos das turmas de Design, Vídeo e Fotografia. “Já formámos muita gente ao longo destes anos. Os nossos ex-alunos que andam por aí a dar cartas em tantas áreas e locais diversos acabam por ser os nossos melhores embaixadores”, conta.

Tudo começou quase por acaso. “Trabalhava, como disse, na Secretaria de Estado da Cultura e a Manuela Carlos [presidente do Grupo ETIC] andava à procura de alguém para a Fotografia. Uma colega e amiga comum sugeriu o meu nome”, recorda Fabião. Foi assim que foi a uma entrevista e ficou. De 1991 até agora. Quando olha para trás, não tem dúvidas na resposta. “Se valeu a pena? A experiência é uma enorme soma de sensações fortes, por vezes contraditórias, mas têm sido quase 27 anos maravilhsos”.

Conhecendo a escola como poucos, o professor identifica facilmente o segredo do sucesso. “Nunca copiámos o que se fazia por cá”, assegura. E justifica: “Tudo aconteceu de uma forma muito natural. Acho que foi determinante o facto de haver desde o início uma filosofia própria e uma linha definida e clara em relação ao que se queria fazer”.

Fabião sublinha que, mesmo “com todas as mudanças ao longo dos anos, nunca houve uma perda de identidade e isso é uma coisa extraordinária”. Mérito de quem definiu o rumo, claro, mas também de “um grupo de pessoas maravilhosas que vestiram e vestem ainda hoje a camisola”.

Tudo somado, diz, faz da ETIC uma escola única. “Disse-o há muitos anos e mantenho: a ETIC é uma escola de afetos. Os nossos alunos são pessoas e tratadas como tal. Acredito que é a nossa relação pessoal, informal e simultaneamente séria e responsável que faz a diferença”, afirma o professor, que se autointitula um “pai galinho”.

Depois de anos como Coordenador e Gestor Pedagógico da área de Fotografia, José Fabião prepara-se para deixar as funções executivas que desempenha. “Vou ser apenas um professor”, explica. Apenas é modéstia dele, é impossível. “A educação é uma responsabilidade e um desafio permanente”, assegura. Paixão que continua bem firme. E que os alunos da ETIC vão ter o privilégio de continuar a usufruir.

 

Fotografias: Susana Jesus